entre todas as escolhas.
a gente cria tanta prioridades...
tantos conceitos diferentes.
de repente, te vêem com uma legging roxa e um sapato de bolinha.
você pode ser moderna.
você pode ser arrojada.
ninguém percebe o que você faz, no seu primeiro deslize
te cospem todo o azedume de anos de incapacidade
te cospem a derrota de uma vida que nao ta muito certa.
ou você deixa que te cuspam mesmo...
ou você evita, foge.
eu corro em círculos junto com um monte de gente perdida.
se eu quero isso hoje... eu quero hoje,
amanha eu posso querer tudo, menos o que eu quero hoje.
a gente se faz de esperta.
e faz de conta que ta fazendo o certo.
eu dei tchau e agradeci...
com a educaçao suiça adquirida nesses dezoito anos e meio.
a gente aprende meios de prender a atençao dos que nos ouvem,
nos sentem.
tudo forma de persuadir.
de tentar ser.
de tentar existir...
eu, realmente, devo ser corajosa.
essa coragem de desistir das coisas.
de desistir das pessoas.
de nao ter apego.
esse apego tao apegado a tudo.
encontrar gente que te fez feliz
faz ver como você continua sendo feliz...
com outras pessoas.
falta dos momentos filosóficos
dos papos sobre cabelo, esmalte, cutícula
das discussões
dos nossos abraços e encantos
dos amores perdidos
dos conselhos pedidos, implorados
dos arrotos e porquices
do mercado, da pracinha, do parque...
e como a gente podia sonhar tanto...
como a gente se divertia com tao pouco
e aquilo era o nosso muito.
inocência confundida com cara de pau
amores pra guardar em vidrinhos.
e deixa-los serem sentidos em todos os fins de tarde.