Domingo, Setembro 30, 2007
algum veneno anti-monotonia.

quando eu pedir seu telefone,
inventa um número, inverta-os.
assim quando eu ligar,
vão me dizer que não tem ninguém com esse nome
ou que esse número não existe.
e não me dê seu nome completo
inventa um sobrenome,
eu sou meio maluca e posso te procurar na lista telefônica.
não, nem pense em me levar em casa.
diga que veio a pé, de trem.
quem sabe você não resolve voltar outras vezes?
nem me dê seu endereço, nem me deixe chegar perto do seu bairro.
vai que eu sinto saudade.
não me deixe aproximar.
não me deixe tocar um centímetro da sua pele.
não me deixe envolver.
nem me dê boa noite.
me deixa perder.
Talvez jogado pra fora por Aline | [mais açúcar?]
Quarta-feira, Setembro 26, 2007
unidade de terapia intensiva

já tem dez anos que aúltima semana passou,
e as roupas ainda são as mesmas.
a tendência pro verão são as cores neutras com tudo que existe de mais extravagante.
depois de dez anos,
eu não ganhei mais que olheiras
e comprei meia dúzia de roupas novas.
as pessoas no metrô continuam parecendo-me
como há dez anos atrás.
pelos meus cálculos,
devo estar beirando os trinta.
e ainda não uso cremes no rosto.
estavam todos como há dez anos atrás
com as mesmas posturas juvenis
e atraentes.
e eu mantendo a insensibilidade
e a desvantagem perante aqueles que nasceram conformados.
o estranho é se ver dez anos mais velho
sem nem mudar a folhinha no calendário.
eu me perdi!
Talvez jogado pra fora por Aline | [mais açúcar?]
Sábado, Setembro 22, 2007
como?


se você estivesse escrito aquilo pra mim
eu me acharia a pessoa mais idiota
e me arrependeria, afinal eu perdi a mulher da minha vida.


eu escrevi pra mim mesma
só pra ter uma carta escrita e endereçada pra mim.
você podia vir,
tem sempre um lugar na vida da gente.
do lado da gente.
pra mais alguém.
e seria sonho, seria luz, seria, talvez, apenas destino.
mas seria belo.
eu me confundo, no que seria mais belo.
no que eu quero mesmo.
no que eu poderia pedir pra você.
logo eu,
eu que não posso pedir nada.
a gente podia tomar um suco e falar besteira.
podia abraçar e dizer que os dias não estão sendo legais com a gente.
os dias me engolem, sem piedade.
e faz dois anos que eu tô vivendo a mesma semana.
e me queixando de como a vida corre,
de como me falta equilíbrio.
hoje não me falta estabilidade.
afinal,
no fundo eu sempre entendo tudo.
Talvez jogado pra fora por Aline | [mais açúcar?]
Quarta-feira, Setembro 19, 2007
case-se comigo
antes que amanheça
antes que não pareça tão bom pedido
antes que eu padeça.



"ela o pediu em casamento assim como quem pede licença.
ele riu, como iria reagir?
se conhecem há pouco mais de uma semana,
e como ele aceitaria se casar com uma doida que nem o próprio telefone lembra?
pra ela, aquilo podia ser normal.
queria só por dois pratos na mesa.
e não dizer boa noite pro gato de barro na sala.
"tá, esquece!"
é só um misto de loucura com vontade de ser feliz.
e aquilo era só um almoço.
um almoço,
durante o horário de almoço de mais uma quarta-feira.
era só."
Talvez jogado pra fora por Aline | [mais açúcar?]
Segunda-feira, Setembro 17, 2007
vergonha de ter uma cabeça tão pequena.

vou, eu vou fugir.
vou morar na birmânia.
eu e o meu mero egoísmo.
mas eu não vou deixar.
não vou deixar tudo pra trás.
vou lecionar origami pra crianças num orfanato.
e vou pra trindade no fim do ano,
gastar todo o meu 13º com água de coco.
mesmo a vida sendo tão grande
e eu sendo tão minúscula.
eu vou crescer.
e não,
eu não tô cansada de ser boazinha
se eu tô aqui é porque má eu devo ser.
mulher pode ser monge?
não vou ser uma rocha.
não quero ser forte.
nem parecer estar de um jeito que eu não estou.
não vou mesmo!
vou dormir cedo.
tomar sorvete de pistache quando a sinusite melhorar.
vender flores no farol.
e não vou fazer planos.
pelo menos pros próximos cinquenta anos.
nem pra mim,
nem pra ninguém.
Talvez jogado pra fora por Aline | [mais açúcar?]
Domingo, Setembro 16, 2007
empáticos, apáticos e cansados.

e quando me perguntarem por ai,
onde você está, eu direi que te deixei em alguma esquina
ou esqueci dentro da minha caixinha de orações.
eu tô cansada de ter que apanhar pra crescer,
eu tô é cansada de crescer... crescer... crescer!
chega!
mas se são os golpes que sempre me deixaram forte...
não há de ser uma pedrinha que vai derrubar toda a fortaleza.
o dia tá quente e bonito.
meus olhos estão irritados.
chega de convecionalismos baratos.
olha pra dentro.
olha no espelho,
se enxerga!
Talvez jogado pra fora por Aline | [mais açúcar?]
Segunda-feira, Setembro 10, 2007
para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e fé.

colocou em si um pedaço do mundo
um pedaço colorido e belo.
agosto sempre passa arrancando pontos da gente.
levando dores, colores.
ardores.
agosto passa deixando as lembranças cansadas de boas-venturanças
e sonhos engolidos.
hoje é só mais um dia muito quente de setembro.
a minha garganta dói e eu mal posso respirar.
a tosse se faz presente me trazendo náuseas.
desejo de atacar reprimido, o livro me diz.
a casa gelada.
o coração quente da vida colorida.
difícil mesmo é ir no médico, tomar injeção.
enquanto eu só precisava sentir o seu corpo perto do meu.
enquanto eu só queria estar mais perto.
perto da gente.
olhar de perto o que eu tenho feito.
ligar pros meus amigos, aqueles que eu nem sei o número de telefone
e dizer "meeeeeeeeeu, por que você sumiu? tava com saudade!"
e depois ficar mais um ano sem ligar.
mas todos os dias, sem pular um, pedir a deus que os guarde por mim
dentro daquela caixinha que a gente combinou há tempos.

os corações acalentam-se pro próximo mês de agosto.
Talvez jogado pra fora por Aline | [mais açúcar?]
tô em todas
tudo.
num passado nao muito distante.
créditos
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