Terça-feira, Outubro 30, 2007
eu compro aparelhos que eu não sei usar.
dizem que lá fora já passou dos 30º.
aqui dentro não tem calor, não tem frio.
tem uma agonia sem tamanho.
uma vontade de explodir.
de sair por ai,
numa excursão maluca.
sem destino, sem parada.
e sossega o coração, aline.
sossega a alma.
e toma uma decisão,
sem ter como voltar atrás, pelo menos uma vez na vida.
deixa os pensamentos de lado,
aqui dentro já tem tanta confusão.
é hora de dormir...
Quarta-feira, Outubro 24, 2007
vai chover, de novo, deu na tv.
o estranho de chover nessa cidade
é a capacidade dos meios de transportes
de, simplesmente, ficarem ridículos!
o metrô que não é bom, fica péssimo.
a lotação que já é bem lotada, duplica.
pessoas que te molham com seus ridículos guarda-chuvas.
e você, se acha guarda-chuva rídiculo como eu, se molha muito mais.
as pessoas não abrem os vidros dos coletivos.
a rua fica cheia de poça.
e o seu tenis sempre fica molhado.
agora, chega em casa.
e pra salvar o dia, toma banho e ouve los hermanos,
vai logo!
Terça-feira, Outubro 23, 2007
solidão a dois é um castigo.
entre todos os remendos que eu tentei fazer
todos não passaram de remendos mal colados,
mal feitos.
entre todas as conversas que nós não tivemos
ficou pra trás um pouco do meu amor,
e aquelas que a gente insistiu em ter
sobraram os pedaços que eu, tanto, tentei remendar.
entre todas as fotos que eu tirei,
faltou foco, luz, criatividade.
entre todos os sonhos que eu tive,
neles eu mantive um pouco dos pedaços,
um pouco dos braços,
daqueles outros sonhos.
eu risco todas as paredes,
todos os desenhos,
todos os meus desafetos.
o bom disso tudo é que eu não preciso mais ser simpática.
ser simpática com que detesto,
com quem engulo e não consigo digerir.
obrigada por me fazer tão bem.
por me fazer tanta falta.
por me fazer crescer.
e enxergar o que escondi esse tempo dos olhos dos outros.
Domingo, Outubro 21, 2007
por george israel
um pouco de mim.
por trás desses olhos verdes
tantos filmes podem passar
noites em claro pra te embalar
e tanta coisa te explicar
tudo que eu não sei
tudo que eu nem sabia
que pudesse encontrar
por trás desses olhos verdes
entender esse amor
às vezes fica tão difícil
mas ele vem brotando em flores
perfumes que eu desconheço
te ver crescer, multiplicar
por onde o vento te levar
num mundo que eu não sei onde vai dar
te dou essa canção pra sempre acreditar no amor
cada dia pode trazer surpresas e a incerteza
espero que esse teu olhar encontre onde vai a beleza
te ver crescer, multiplicar
por onde o vento te levar
num mundo que não sei onde vai dar
te dou essa canção pra sempre acreditar no amor
sei que agora não demora
pra te soltar no mundo
teus amores, tuas dores
me pediu para te deixar chorar
te dou essa canção pra sempre acreditar no amor.
Quinta-feira, Outubro 18, 2007
dez coisas que eu insisto em odiar, em você!
louca,
sozinha na pista.
pulando de um lado pro outro.
seja sweet dreams ou
lust for life.
ele insiste em olhar.
olhar, perceber cada movimento.
não chegar, não tocar.
olha pra ele e se sente num filme adolescente,
desses que você chora e ri.
ele tem jeito e idade pra ser um desses tios que a gente tem,
que eu tenho, e que pensa ter uns vinte anos ainda.
ele é diferente.
mas nunca ninguém lhe disse isso.
deve ter tido namoros sem sucesso.
e saiu sozinho pra beber e ver meninas dançando sozinhas.
perdida.
queria estar perto, mas não com ele.
ou, talvez, apenas com ele.
eu não odiaria o seu corte de cabelo.
muito menos a forma como dirige.
você tem cara de desmazelo, desses que não ligam por dias.
e no fundo, eu prefiro.
tem jeito de quem está sempre certo, cheio de razão,
do tipo que, realmente, odeio.
ele sabe que no doubt nunca mais vai tocar na vida dele,
ahh! e ele liga?
não era a hora,
nem o dia.
de dizer adeus.
Segunda-feira, Outubro 08, 2007
as sete vidas de uma mesma pessoa,
vista num piscar de olhos.
hoje,
bom dia.
segunda-feira, oito de outubro de dois mil e sete.
o dia vai ser colorido,
na manhã cinza da cidade mais cinzenta do país.
e você vê uma infinidade de dias passar
num segundo.
melhor, talvez, ser uma boneca.
dessas que só tem a responsabilidade de encantar meninas bonitinhas.
o dia estava
tão belo e colorido
que eu até esqueci o resto do texto no meu umbigo.
Quarta-feira, Outubro 03, 2007
pânico, vertigem, obsessão.
há uma família debaixo do viaduto,
aquele depois do metrô bresser.
tem uma menininha com menos de cinco anos
e um garotinho de uns nove anos.
e a minha gaveta de roupas tá cheia,
tem coisa que eu nunca mais vou vestir.
a vida tá bagunçada, as camisetas estão amassadas.
hoje, a menininha estava com um pacote de trakinas na mão.
será que ela já viu uma televisão?
são todos meio luanas.
luana perdeu a mãe e mora com avó.
luana não tem televisão em casa, só o descaso.
luana sonha fazer compras numa loja no shopping.
luana só queria um fone de ouvidos pro discman ganhado.
luana, talvez, fará teatro ou será dançarina.
luanas como ela.
ontem, a menininha abaixou as calças perto de onde ela dorme
e fez xixi ali mesmo.
erqueu as calças e saiu séria,
assim como todos os dias.
sem sorrir,
sem encantos,
sem a docilidade da infância.
o pior, as gavetas continuam cheias.
o coração apertado.
a vida passada tão de longe, sem ser sentida.
sem sentido.