Domingo, Maio 25, 2008
como eu posso dizer que te esqueci e que nunca mais o teu nome vai me arrancar arrepios?
eu suspiro te vendo passar e as imagens de dias felizes me fazem rodar em círculos.
eu procuro cada jeito seu, cada mania tola e hilariante.
sabe aquela coisa bonitinha que só a gente tinha?
aquela que deixava todo mundo impressionado, que nos fazia sorrir, gargalhar por horas.
aquela nossa vontade de descobrir as coisas.
um equilíbrio, uma harmonia.
sabia que te encontraria e ensaiei algumas vezes na frente do espelho como eu iria te dizer, como eu iria dizer...
aquilo de falta que você faz, de gostar, de sentimentos.
ensaiei tanto que quando te vi, só consegui olhar e não dizer uma palavra sequer... de todo aquele ensaio.
eu vou fugir, até me perder.
até não saber como voltar pra casa, como não te encontrar mais.
engraçado falar de fuga. pensar em fuga. desejar fugir.
engraçado não saber enfrentar as coisas de peito aberto, de não enxergar coragem.
de não saber lidar com as decisões.
sabe lixo remexido?
acordei pensando em não dormir mais.
acordei.
a-cor-dei.
jogado fora por Aline
12:50 AM
Segunda-feira, Maio 05, 2008
Na vocação para a vida está incluído o amor, inútil disfarçar, amamos a vida. E lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o fervor mas uma certa dose de cólera. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas.
Amar no geral e no particular e quem sabe nos lances desse xadrez-chinês imprevisível.
Ousar o risco. Sem chorar, aprendi bem cedo os versos exemplares, não chores que a vida é luta renhida. Lutar com aquela expressão de quem vai caçar borboleta, ah, como brilham os olhos de curiosidade. Sei que as borboletas andam raras mas se sairmos de casa certos de que vamos encontrar alguma... O importante é a intensidade do empenho nessa busca e em outras. Falhando, não culpar Deus, oh! por que Ele me abandonou? Nós é que O abandonamos quando ficamos mornos. Quando a vocação para a vida começa a empalidecer e também nós, os delicados, os esvaídos. Aceitar o desafio da arte. Da loucura. Romper com a falsa harmonia, com o falso equilíbrio e assim, depois da morte - ainda intensos - seremos um fantasminho claro de amor.
Lygia Fagundes Telles
jogado fora por Aline
10:45 PM
Quinta-feira, Maio 01, 2008
tá frio.
as mãos estão geladas.
os pés parecem que congelaram.
eu tô pensando no que ela me disse ontem.
essa mania beeem indiscreta e persistente de sempre reclamar.
de sempre achar que todas as pessoas que eu conheço são iguais, quando na verdade, todas elas são legais.
e de um jeito ou de outro, eu irei gostar de estar ao lado delas.
eu poderia parar pra te elogiar, pra dizer que te admiro por ser assim.
você tem talento.
mas ela mais que ninguém sabe, que ah! eu não vou conseguir te dizer isso.
porque é mais forte que eu achar que você não me entenderia.
(eu tenho certeza que você não entenderia)
você não leva o mínimo jeito pra mentiras e eu não levo jeito pra não ser tão insegura.
eu fico olhando pro monitor, com as mãos segurando o queixo, cara de criança birrenta.
você não vê.
ela percebe. ela me desestrutura e me faz ver além do que eu consigo enxergar.
eu tampo, tampo o sol com a peneira.
peneiro meus sentimentos procurar deixar ali só o que me faria bem.
eu não consigo.
ela sabe.
jogado fora por Aline
12:11 PM
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